Campanha Fevereiro Letivo: Saúde Mental na Educação como Decisão Institucional
Publicado por: Psicóloga Fabiana Frade - Atualizado em 01/02/2026
A iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Humano Janeiro Branco (IDHJB), surge como resposta estruturada, ética e preventiva a essa realidade. Mais do que uma campanha, trata-se de um pacto coletivo para reconhecer que educar sem cuidar adoece e que não há aprendizagem sustentável onde não existe segurança emocional.
Neste artigo, você entenderá por que a saúde mental precisa ocupar o centro das decisões pedagógicas, como a escola produz, consciente ou inconscientemente, saúde ou sofrimento, e de que forma o Fevereiro Letivo propõe transformar intenção em ação concreta nas comunidades escolares.
Por que falar de saúde mental no início do ano letivo?
O retorno às aulas é um momento estratégico. Equipes se reorganizam, estudantes retornam às rotinas, famílias reconstroem horários e a cultura institucional se redefine.
É nesse contexto que o Fevereiro Letivo foi concebido, como continuidade da Campanha Janeiro Branco, levando o debate sobre saúde mental para dentro do espaço onde a vida cotidiana acontece intensamente: a escola.
A proposta parte de uma premissa clara: a escola não é apenas um espaço de transmissão de conteúdos, mas um ambiente emocional, relacional e psicossocial.
O cenário nacional: dados que exigem responsabilidade coletiva
Os números recentes evidenciam que o adoecimento emocional na educação não é pontual, mas estrutural:
● 16% dos professores brasileiros afirmam que a docência impacta negativamente sua saúde mental.
● 71% relatam estresse frequente no exercício da profissão.
● Afastamentos por transtornos mentais mais que dobraram na última década.
● Mais da metade dos estudantes não acredita que a escola se preocupa com seu bem-estar emocional.
● 1 em cada 4 professores já relatou ter pensado em tirar a própria vida nos últimos anos.
Esses dados revelam que o problema não é individual. É institucional, cultural e social.
Quando professores adoecem em massa e estudantes não se sentem protegidos, não estamos diante de fragilidades pessoais isoladas, estamos diante de falhas estruturais.
O conceito central do Fevereiro Letivo
O Fevereiro Letivo se fundamenta em um princípio simples e profundo: Cuidar da saúde mental também é educar.
A campanha não tem caráter clínico ou terapêutico. Seu foco é psicoeducativo, preventivo e comunitário.
Ela propõe:
● Inserir a saúde mental na agenda institucional das escolas.
● Naturalizar o debate sobre sofrimento emocional e convivência.
● Valorizar a saúde mental de quem educa.
● Fortalecer a escola como espaço de proteção psicossocial.
● Estimular corresponsabilidade entre escola e famílias.
A escola como ambiente psicossocial
Instituições não são neutras.
Toda escola produz saúde ou produz sofrimento, inclusive de forma involuntária. Essa compreensão aparece de maneira explícita nos materiais institucionais da campanha.
Ambientes marcados por:
● medo
● humilhação
● exposição pública de erros
● pressão excessiva
● silenciamento de conflitos
Até podem gerar resultados aparentes, mas fragilizam pessoas e rompem trajetórias.
Por outro lado, escolas que investem em:
● previsibilidade
● mediação de conflitos
● escuta qualificada
● reconhecimento de limites humanos
● corresponsabilidade com as famílias
Fortalecem vínculos e sustentam aprendizagens mais significativas.
Os cinco eixos estruturantes:
1. Saúde mental e aprendizagem
Aprender exige segurança emocional. Emoções desorganizadas comprometem o desenvolvimento cognitivo.
2. Saúde mental de quem educa
Não existe educação saudável sem educadores saudáveis.
3. Relações escolares e convivência
Relações também educam, pelo cuidado ou pela violência cotidiana.
4. Escola como espaço de proteção
Proteger emocionalmente é prevenir sofrimentos evitáveis.
5. Família e corresponsabilidade
Escola e família não competem. Complementam-se no cuidado.
O que o Fevereiro Letivo não é:
● Não é campanha de diagnóstico.
● Não é medicalização.
● Não substitui psicólogos ou assistentes sociais.
● Não individualiza sofrimentos institucionais.
A própria proposta legal da campanha deixa claro que as ações têm caráter exclusivamente educativo, preventivo e comunitário, respeitando competências técnicas dos profissionais especializados.
Da sensibilização à ação concreta
O Fevereiro Letivo oferece materiais prontos para aplicação:
● Cartazes institucionais
● Cartilhas
● Oficinas com educadores
● Dinâmicas com estudantes
● Roteiros de encontros com famílias
A lógica é simples: baixar, adaptar, aplicar e multiplicar.
A campanha também incentiva a institucionalização do período por meio de Projetos de Lei municipais, organizando responsabilidades e integrando o tema ao calendário pedagógico.
Por que fevereiro é estratégico?
Janeiro abre a conversa.
Fevereiro leva o cuidado para dentro das escolas.
A campanha nasce justamente da pergunta: como falar de saúde mental na educação se, em janeiro, as escolas estão fechadas?
Fevereiro se torna, então, um marco simbólico e prático de reorganização institucional.
Conclusão
O Fevereiro Letivo não é apenas uma campanha de conscientização. É um convite à responsabilidade institucional
Ele nos obriga a fazer perguntas incômodas e necessárias:
● Que clima relacional estamos cultivando?
● Que práticas estamos naturalizando?
● Estamos formando pessoas ou apenas cobrando resultados?
● Quem está adoecendo em silêncio dentro da nossa escola?
Educar não é pressionar até quebrar.
É sustentar vínculos que permitem aprender.
Sem saúde mental, o ensino colapsa.
Com saúde mental, a educação transforma.
O Fevereiro Letivo nos lembra que saúde mental na educação não é discurso.
É decisão institucional diária.
Nota de referência
Este artigo foi elaborado com base nos materiais oficiais da campanha Fevereiro Letivo | Saúde Mental na Educação, desenvolvidos pelo Instituto de Desenvolvimento Humano Janeiro Branco (IDHJB), incluindo carta institucional, cartilhas, roteiros de atividades e proposta metodológica do projeto.
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Importante: Este artigo tem caráter informativo. Para diagnóstico e tratamento adequados, procure um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra. Somente uma avaliação profissional pode indicar o melhor cuidado para sua saúde mental.